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Sessão 5 - O Erótico e o Sagrado
Coordenadores: Arthur Valle (UFRRJ/CBHA), Camila Dazzi (CEFET RJ/CBHA), Paula Vermeesch (UNESP)

Das representações de Inanna/Ishtar, a deusa do amor e da guerra entre povos da chamada Mesopotâmia, às figurações de sexo explicito nas fachadas e colunas de templos hindus da Índia; da nudez da Afrodite de Cnido esculpida por Praxíteles ao êxtase/gozo da Santa Tereza de G. L. Bernini; do falo ereto do Legba dos Fon da África Ocidental aos seios expostos de diversas Pombagiras das umbandas brasileiras: imagens que conectam o erótico e o sagrado foram e são muito frequentes e difundidas, indicando que essas duas instâncias tem mais em comum do que deixam entrever as interpretações redutoras das tradições religiosas mundo afora.
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É certo que, especialmente no Ocidente, o questionamento do pensamento religioso que se segue ao dito "Século das Luzes" marcou o início de um processo de relativa emancipação intelectual que perdura até hoje. Muita@s artistas, se não rejeitaram propriamente conceitos religiosos - como a existência de Deus ou do sagrado -, se sentiram livres para redefinir esses conceitos, como na famosa tela de G. Courbet, A Origem do Mundo (L'Origine du Monde, 1866). Mais recentemente, esse processo se intensificou e o curto-circuito entre erótico e sagrado foi retomado em uma chave irônica e/ou crítica. A contemporaneidade, em especial, é um  momento no qual o erótico é muitas vezes utilizado como uma via de protesto e contestação de preceitos religiosos que não mais parecem condizer com a realidade social, como exemplifica parte da polêmica obra de Márcia X.
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A presente sessão temática do CBHA se propõe como um espaço dedicado às diversificadas relações entre o erótico e o sagrado mediadas pelas artes visuais. Para tanto, a sessão é aberta para todos os possíveis objetos e abordagens teóricas. A ideia é criar um amplo campo de debate transhistórico e transnacional, que permita aos participantes construírem uma visão panorâmica de nosso tema.  Além de pouco usual na historiografia de arte brasileira, cremos que tal debate é particularmente relevante no contexto contemporâneo, onde grassam a intolerância religiosa e novas formas de fascismo em diversas partes do globo. Se somos todos culturalmente programados em termos de sexualidade e religião, o caminho para a tolerância é reconhecer que nossos valores não são universais, mas sim subjetivos e pessoais. Cremos que o estudo das imagens aqui proposto pode ajudar a libertar-nos da tirania de nossos próprios valores e nos conscientizar de quão contingentes e vinculados ao tempo, geografia e cultura eles realmente são. 

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