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Sobre a imagem
 
Detalhe da obra Divina comédia - Paraíso, 2003-2007, de  Paulo Gaiad.
 

Anseio de se esfregar, desejo de transar, vontade de gozar. Muitas imagens têm esse poder sugestivo e relembram a condição humana bestial, biologias de instinto e estados de cio patentes em cada um de nós, colocando-nos na posição pouco confortável de bichos-humanos, afrontados a assumir nossa natureza animalesca, que se vê dialeticamente confrontada com o mundo das ideias, em que o conceito do próprio erotismo se insere. 

Somos também moldados por sentimentos, intimidades, emoções e por libidos que envolvem não só olhares mas todos os sentidos, invocando percepções corpóreas em totalidade. Somos corpos e eles têm desejos, fazem sexo, são eróticos, ao mesmo tempo em que pensam, idealizam e teorizam desejos, sexualidade, erotismo. A imagem erótica invoca um sentir-pensar que demanda diferentes estratégias de elucubração, violando categorias de sujeito e objeto, dentro e fora, o eu e o mundo, humano e animal. 

Mais do que bundas, peitos, pênis e vaginas representados, de modo explícito ou não, o erotismo na arte deve ser pensado na sua atitude provocadora, na exposição de poéticas que nos retiram da passividade contemplativa, despertando desejos dormentes, reflexões interrogativas, atos de transformação, que nos fazem passar de um estado a outro, da inércia ao jogo sedutor, do movimento à busca do gozo, atos que nos libertam de uma racionalidade programada e reclamam à memória a condição de satisfação, a qual pulsa no seu íntimo sem repressões, em vontade livre e libertária. 

Ao retomar obras eróticas em coleções, reservas, exposições múltiplos aspectos são postos à luz, como os artifícios de representação do corpo e da libido; a preponderância das representações do feminino objetificado frente ao predomínio de artistas masculinos; a pouca exploração das relações homoeróticas; a impossibilidade de representação visual do gozo feminino; as pulsões bestiais e violentas exibidas e suas polêmicas; as atitudes de vergonha na reclusão de obras em reserva ou a condição de uma arte às escondidas; a repressão moralista que impinge proibições à liberdade de expressão que vem ultimamente tomando movimentos crescentes e ameaçadores.  

A própria exposição é artifício primordial de transgressão do que deveria estar velado em termos moralmente aceitos. O ato de exibir aquilo que desperta um olhar estético libidinoso perpassa a ideia de perversão, assumindo uma escopofilia coletiva. A arte se mostra na sua potência “bonitinha mas ordinária”, como nos lembra Nelson Rodrigues, que também salientou que “toda nudez será castigada”. Vulgaridade, sacrifício, castigo, libertinagem tornam-se devires poéticos que ameaçam também os bons costumes historiográficos, a sacralidade teórica, a religiosidade pudica da crítica. 

O erotismo pode ser pensado como uma forma de desalojar o conhecimento, arrepiando os pelos dos sentidos, reacendendo prazeres remotos, excitando epistemologias conformadas, pondo corpo e mente em desassossego. É nesse sentido que o 38º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da arte convida a uma penetração no campo, estimulando refletir sobre as provocações, os prazeres, os incômodos, as transgressões e as zonas erógenas da arte, de seus criadores e receptores, de suas instituições e de suas narrativas. Porque “sem tesão, não há solução”. 

Comissão de Organização do XXXVIII Colóquio do CBHA
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Maria de Fátima Morethy Couto (UNICAMP) (presidente)

Sandra Makowiecki (UDESC)

Beatriz Goudard (UDESC)

Francine Regis Goudel (UDESC)

Arthur Valle (UFRRJ)

Luiz Alberto Ribeiro Freire (UFBA)

Marco Antonio Pasqualini de Andrade (UFU)

Tamara Quírico (UERJ)

     
   

     
     
   
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