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Sessão Temática 1 - ATRAVESSAMENTOS DAS OBRAS DE ARTE NOS IMAGINÁRIOS TURÍSTICOS

Coordenadoras: Camila Dazzi (CBHA) e Isabela Loureiro (CEFET-RJ)



Ementa: A sessão tem como objetivo explorar os atravessamentos da produção artística nos imaginários turísticos no século XIX. O conceito de viagem, que esteve historicamente associado a um deslocamento, a deslocamentos para propósitos militares, religiosos ou científicos, mudou significativamente com o surgimento das práticas turísticas, no século XIX, primariamente voltadas para o lazer. O turismo moderno estava associado à tecnologia e ao progresso, mas igualmente ao Imperialismo e ao Capitalismo da segunda metade do século XIX. Na sua Theorie des Tourismus, Enzensberger (1964) sinalizou que, no século XIX, não só surgem os meios, mas também o anseio de viajar. A motivação para conhecer um determinado destino turístico baseava-se numa confluência de diferentes referências: mapas, guias de viagem, literatura, peças de teatro, óperas e, certamente, no abundante número de imagens a que as pessoas tinham acesso, fosse nas paredes das galerias e museus, nas ilustrações em relatos de viagem ou em cartazes turísticos, feitos por artistas mais ou menos renomados, que divulgavam novas rotas de navios e estradas de ferro (Urry, 1990). Essa produção artística, simultaneamente, se materializou e contribuiu para a construção de imaginários turísticos, em um processo muito similar ao da sedimentação: camadas sucessivas de imagens que, tal como na geologia, são demarcadas, mas que, em certa medida, se misturam ao longo do tempo, dando continuidade a antigas ideologias, mas igualmente incorporando novas formas de perceber e agir no mundo (Salazar, 2011; Gravari-Barbas; Graburn, 2023; Staszak, 2015). Tendo como base essas reflexões, a sessão levanta os seguintes questionamentos:
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I. Como as obras de arte expostas em países europeus tiveram o poder de “romper fronteiras” e determinar o modo como países geograficamente distantes eram imaginados?
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II. Como os próprios turistas são imaginados nas produções artísticas? Como eles se encaixam na matriz de origem geográfica, de classe, de gênero e de “raça”?
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III. As produções artísticas do período tiveram o poder de encantar os seus fruidores a ponto de contribuírem com os processos migratórios de europeus que se radicaram em terras que só conheciam em seus imaginários turísticos?
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IV. Que ideologias transitam na arte dos Oitocentos? Elas celebraram o colonialismo ou promoveram a denúncia de seus mecanismos de opressão?
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V. Os imaginários turísticos que a arte ajudou a construir no século XIX perduram até os dias atuais? De que modo eles estão ressignificados? Que características persistem?
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A proposta da sessão, que promove diálogos transdisciplinares, visa à contribuição de trabalhos escritos por estudiosos de todas as disciplinas, como a geografia, a sociologia, a história, a literatura, os estudos visuais e culturais e, claro, a história da arte e de turismo, de modo a descortinar novos insights sobre as relações entre a arte, o turismo, os turistas e os imaginários.