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Sessão Temática 3
- FIOS REBELDES: MUTABILIDADES EM INSTITUIÇÕES, CURADORIAS E HISTÓRIAS DA ARTE
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Coordenadora/es: Marize Malta (CBHA) e Emerson Dionisio de Oliveira (CBHA) |
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Ementa:
Nas últimas décadas, houve diversas demandas sociais e políticas
revoltosas contra apagamentos, misoginias, racismos e tantos outros
preconceitos que acabaram por impor rasgos, embolamentos e desfiamentos
nas instituições artísticas, fazendo rever curadorias e narrativas
antes hegemônicas, pretensamente universais e neutras. Uma série de
eventos culturais e instituições museais têm reagido de forma a se
posicionarem ideologicamente no mundo da arte, a partir de diferentes
operações curatoriais, ainda que, no geral, o que estava roto passa a
ser mostrado, o que estava íntegro se põe escondido...
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Desde a arte contemporânea, dos pedidos de reparação às políticas de
inclusão, os fios da história da arte precisaram passar por uma
recontextualização de seus paradigmas, passando a esgarçar seu
isolamento disciplinar e a rever a estabilidade e o tensionamento dos
fios que formavam sua tessitura teórica e metodológica, a qual esteve
entrelaçada com as instituições e as curadorias. Apartadas da
realidade, como trouxas bem amarradas, as instâncias da arte precisaram
rever seus poderes colonizadores de exclusão e de não-representação,
começando a desfazer os nós e a se amarrarem a outros tecidos
disciplinares, fazendo eclodir o que se convencionou chamar de “nova
história da arte”. Ainda que esteja em processo, desdobrando-se em
outras direções, a nova postura arte-histórica já não é mais tão nova
assim e requer saber lidar com os mais recentes fios revoltosos.
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Que outras texturas seriam possíveis de ver e sentir na história da
arte, decorrentes de outros cruzamentos possíveis de fios rebeldes? Que
caminhos seguir para enfrentar descosimentos, furos e farrapos que
maculam uma ordem canônica? Como enfrentar fios soltos que insistem em
seguir direções diferentes e dar outra mirada aos fios coesos? Como
lidar com outros materiais e formas de juntá-los avessos a
categorizações? De que maneira se pode manter uma tessitura subvertendo
sua própria conformação lógica? E se não houver mais linhas?
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Pretendemos discutir, puxando fios, com estudos de casos de
instituições e curadorias, a partir de artes expostas, as mutabilidades
que vêm ocorrendo no campo artístico capazes de instigar pensamentos
(de)formadores dos sentidos atribuídos à arte e aos modos de exibi-la,
vê-la e compreendê-la. O que tem se rebelado, mantido e negociado (e
como) na realidade tramada da história da arte, diante do limite do
vivível nos tempos da insustentabilidade? Que outros pontos seriam
possíveis para congregar a diversidade de fios numa direção de uniões
de saberes que conjuguem confiança, afetos e esperança? Em que
situações os fios rebeldes podem mais nos unir do que separar e propor
novas formas de resistir e existir?
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