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Sessão Temática 5
- EXPOSIÇÕES SAZONAIS E CIRCULANTES: ENTRE A ARTE E A GEOPOLÍTICA
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Coordenadoras: Vera Beatriz Siqueira (CBHA), Maria de Fátima Morethy Couto (CBHA) e Daniele Machado (Uerj) |
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Ementa:
Nas últimas décadas, Trânsitos, Migrações e Fronteiras se tornaram
palavras-chave em trabalhos, pesquisas e projetos artísticos, chegando
a ser o eixo conceitual da Bienal de Veneza de 2024. A 60ª edição da
maior exposição de arte do mundo teve como tema Foreigners Everywhere
(Estrangeiros em todo lugar), com a curadoria assinada, pela primeira
vez, por um latino-americano, Adriano Pedrosa. Nela, foram exibidas
obras como a da artista franco-marroquina Boucha Khalii, The Mapping Journey Project (2008–11),
que trata de indivíduos que por circunstâncias políticas ou econômicas
foram forçados a viajar ilegalmente pela Europa, tornando-se muitas
vezes apátridas e perdendo seus direitos como cidadãos. A obra expõe
rotas e redes migratórias informais e precárias, descrevendo jornadas
longas, intermitentes e perigosas, por meio da narração de pessoas que
as vivenciaram. Nos oito vídeos exibidos simultaneamente, ouvimos suas
histórias e vemos suas mãos traçando as respectivas trajetórias em um
mapa, com uma caneta piloto, mas seus rostos permanecem invisíveis,
assegurando o anonimato.
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Historicamente, um dos campos artísticos mais férteis para o estudo
desses temas é o das exposições, especialmente as sazonais e
circulantes. Seja dentro do território nacional, seja em circuitos
transnacionais, esses tipos de mostra mobilizam e afetam diversas
instâncias da diplomacia cultural e das geopolíticas institucionais,
auxiliando na compreensão das mudanças na estrutura de poder do mundo
da arte e em como as artes e a cultura funcionam como espaços
privilegiados para a construção de imagens positivas e assertivas das
nações. Fundindo aspectos de diferentes perspectivas
teórico-metodológicas (história da arte, história das exposições,
perspectiva geopolítica, diplomacia cultural) este tema tem especial
interesse para o desenvolvimento das pesquisas que partam da análise da
circulação cultural para renovar os estudos sobre artistas e obras,
contribuindo assim para articular pesquisas desenvolvidas no país e no
exterior.
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Convidamos pesquisadores interessados a submeter apresentações sobre
tais questões em nossa Sessão Temática, vinculada ao grupo de pesquisa
“Geopolíticas Institucionais: arte em disputa a partir do pós-guerra”.
As propostas, em qualquer recorte temporal, podem abordar os seguintes
eixos:
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• Diplomacia cultural e as mostras internacionais;
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• História e crítica de exposições e suas articulações locais, nacionais e/ou internacionais;
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• Exposições como estratégias discursivas;
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• Formação e circulação de redes de agentes e instituições culturais:
artistas, críticos, marchands, colecionadores, galerias, museus, etc.;
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• Ecos e desdobramentos de exposições circulantes no mundo das artes: crítica, historiografia e práticas artísticas;
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• As novas fronteiras desenhadas pela circulação de mostras, agentes culturais e objetos artísticos;
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• O esgotamento e a reinvenção do modelo de exposições universais, bienais, etc.;
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• Representações (e estereótipos) nacionais nas mostras circulantes e sazonais;
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• O papel das exposições na formação e no questionamento do cânone artístico;
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• Recortes interseccionais de gênero, classe e raça nas exposições de arte e cultura;
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• A interconexão de valores estético-culturais e questões geopolíticas.
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