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Sessão Temática 7 - A MEMÓRIA CULTURAL COMO PESQUISA EM ARTE E NA HISTÓRIA DA ARTE

Coordenadora/es: Mônica Zielinsky (CBHA), Sheila Cabo Geraldo (CBHA), Alexandre Santos (CBHA) e Joaquín Barriendos (ITESM)



Ementa: Esta proposta temática discute a importância dos estudos sobre a memória cultural na América Latina, presentes na concepção e criação dos trabalhos artísticos. Esses são encontrados em meio a contextos históricos e culturais marcados por graves catástrofes bélicas, biológicas, geofísicas e bioquímicas, entre outras, com inegáveis consequências. Essas destruições expressivas também são percebidas na exploração desenfreada dos recursos naturais e ambientais nesta região e tornam-se causa de deslocamentos de populações que perdem suas residências, pertences, trabalhos. Todos estes fatos pulsam materializados de diferentes modos na criação artística e sugerem reflexões valiosas para a arte contemporânea, sobretudo no que diz respeito às operações mnemônicas.
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A memória humana poderia ser considerada vinculada a uma característica antropológica dada, no entanto ela expõe claramente os diferentes modos como as culturas constroem e vivem sua temporalidade. As formas que são assumidas pela memória mostram-se sempre contingentes e sujeitas a transformações. Trazem a instabilidade do mundo cultural hodierno, em sua vertiginosa aceleração. Os artistas partilham, em seu fazer, estas inquietudes constantes em múltiplas escolhas.
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Nos processos artísticos, é possível reconhecer a existência de um sentimento de nostalgia, quando algo do passado deixa de ser acessível, como a saudade de um tempo perdido ou mesmo de um lugar. Este sentimento foi durante longo tempo considerado como lástima, ancorado na ideia de perda e em uma codificação negativa; nas palavras de Huyssen (2014), “uma utopia às avessas”. Muitos trabalhos de arte evocam esse clima de distintos modos, ora na temática escolhida, nos recursos materiais, em sons utilizados, performances, fotografias, filmes.
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A ideia de nostalgia, como indicativo de funcionamento mnemônico, sofreu ao longo do tempo significativas transformações – ao invés de lastimar as perdas, passou a indagar sobre o que se perdeu. Voltou-se a imaginar as ruínas através da formação de fortes imaginários políticos, que se alastram em meio às operações da memória e em suas valiosas conquistas ficcionais.
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Memória, em lugar dos anseios da saudade, transforma-se em outro modo de funcionamento sob uma nostalgia reflexiva, quando opera no exercício do julgamento ou da reflexão crítica sobre os fragmentos estilhaçados. Passa a imaginar outros futuros, em dias em que a memória recria outro mundo. Não mais por seu histórico armazenamento, mas pelo repúdio à destruição e pelo profícuo desejo de reconstrução, para operar com uma memória ativa, voltada à transformação da própria condição da arte e das suas histórias da arte na América Latina.
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Neste sentido, aguardamos propostas de comunicação que investiguem as relações entre arte, catástrofe e memória.